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O Colégio Presbiteral em Santo Inácio de Antioquia
por:
Frei Alfredo, SIA
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Homem nascido do Fogo, homem da unidade, Santo Inácio de Antioquia contribui sobremaneira para a compreensão da vivência da unidade e fraternidade no seio da Igreja. É uma contribuição sempre atual e essencial, sobretudo, para a vivência da fraternidade presbiteral. Constitui um propósito muito maior do que o mero companheirismo ou corporativismo. Eis aqui uma simples contribuição para nossas reflexões no Ano Sacerdotal.
“Atendei ao bispo, para que Deus vos atenda. Ofereço minha vida para os que se submetem ao bispo, aos presbíteros e aos diáconos. Possa eu, com eles, ter parte em Deus. Trabalhai uns com os outros e, unidos, combatei, lutai, sofrei, dormi, despertai, como administradores, assessores e servidores de Deus”. (Inácio de Antioquia a Policarpo 6,1)
A belíssima página do Evangelho de S. Marcos (Cf Mc 3,13-19) nos indica que Jesus desceu do monte, chamou para si aqueles que quis e eles foram com Ele. Os constituiu doze para que estivessem com Ele, para enviá-los a pregar e para que tivessem o poder de expulsar os demônios. Jesus, portanto, chamou os apóstolos para que estivessem com Ele e fossem unidos entre si. Nós somos sacerdotes para ser com Jesus, Bom Pastor e unidos entre nós pela sua Palavra, pela Eucaristia, pelo Sacramento da Ordem e pelo ministério pastoral. Os presbíteros “por não possuírem o ápice do sacerdócio e por “dependerem” dos bispos no exercício do seu poder, são, todavia, a eles ligados pela dignidade sacerdotal e, em virtude do Sacramento da Ordem, são consagrados para pregar o Evangelho, alimentar os fiéis e celebrar o culto divino” (LG, 28). Ordenados para serem “cooperadores da ordem episcopal, pelo reto cumprimento da missão apostólica confiada por Cristo (PO, 2), de certo modo, expressam, nas comunidades cristãs, o bispo, com o qual dividem, em parte, as funções e solicitude pastoral (Cf LG, 28). “Os presbíteros, constituídos na Ordem do presbiterado mediante a Ordenação Sacerdotal, são todos, entre si, unidos pela intima fraternidade sacramental, mas de modo especial, formam um único presbitério na diocese a cujo serviço são adscritos sob o próprio bispo. De fato, mesmo que se ocupem de cargos e funções diferentes, sempre exercem um único ministério sacerdotal em favor da humanidade. Portanto, cada um está unido aos outros membros do Presbitério em que estão inseridos por particulares vínculos da caridade apostólica, de ministério e de fraternidade “(PO, 8). Os sacerdotes constituem, em torno do Bispo, um colégio que tem o nome de presbitério, isto é, uma comunidade mesmo e de certo modo, uma família. “Que ninguém se engane! Quem não estiver junto ao altar (recinto do presbitério) está privado do Pão de Cristo” .(S. Inácio de Antioquia aos...). Para nós, presbíteros, mais do que o “fazer” é necessário o “ser” unidos a Jesus e viver o presbitério, a comunhão plena com o Bispo e os outros sacerdotes. É este o sinal que a comunidade cristã e o mundo esperam de nós. A razão mais forte de uma escolha de vida comunitária dos presbíteros está na participação comum à Ordem Sacra que funda, no Mistério de Cristo Sumo e Eterno Sacerdote, a fraternidade presbiteral. Ao aprofundar o tema da espiritualidade sacerdotal se descobre facilmente que a identidade mais profunda do sacerdote está no seu ser a “representação sacramental de Cristo chefe e pastor” da Igreja (Cf PDV, 15), que doa a vida para que a beleza de Deus resplandeça na vida de todos. É no seu ser pastor no nome de Jesus e no desejo de imitar o seu amor por todas as ovelhas, sobretudo pelas ovelhas perdidas, que o presbítero encontra a fonte da sua espiritualidade. O padre se santifica sendo padre e “fazendo”, isto é, “construindo” o ser padre, seja caminhando à frente do rebanho, seja como membro do rebanho a comunidade presbiteral.
A prioridade do presbítero nos ajuda a captar o sentido da nossa configuração a Cristo Sumo Sacerdote, a viver a unidade da família presbiteral longe das competições em busca de certas ilusões ligadas ao “carreirismo” ou aos “bairrismos”, bem como, do reducionismo que impede ver e viver a comunhão e a participação. Estilos de vida na unidade e estilos de vida de comunhão nascem da escuta da Palavra de Deus, da celebração assídua da Liturgia das Horas, da celebração eucarística, dos momentos em adoração diante do Senhor, da proximidade filial da maternidade de Maria e de tantas “escutas” da realidade gritante à nossa volta.
Particular importância deve revestir a formação permanente dos sacerdotes por motivo da dignidade das coisas que tratam, pela complexidade da ação pastoral e pela exigência do serviço da Palavra no meio do povo de Deus, onde são chamados a serem verdadeiramente promotores da alegria de todos (Cf 2Cor 1,23). Devemos investir muito na formação sacerdotal no campo teológico e pastoral. Somos chamados a viver com assiduidade e a fazer um esforço para evitar o afastamento de momentos importantes como os encontros e exercícios espirituais anuais, encontros de atividades de lazer e momentos comuns de espiritualidade que nos proporcionam o aprofundamento na formação permanente. Permitamos ao Bispo cumprir, nesse sentido, o seu dever, de fato, de acordo com a sua função: “o bispo educará os sacerdotes de todas as idades e condições ao cumprimento do dever de formação permanente e cuidará de organizá-la, a fim de que o entusiasmo pelo ministério não diminua, mas antes, aumente e amadureça com o passar dos anos, tornando mais vivo e eficaz o sublime dom recebido (Cf 2Tm 1,6)” (Diretório para o ministério pastoral dos bispos, n. 83).
Frei Alfredo Francisco de Souza, SIA. (Missionário Inaciano).
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21/08/2009
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