No dia 02 de fevereiro de 2010, a Congregação Missionária de Santo Inácio de Antioquia se reuniu para sua Assembléia Anual. Foi um momento de graça, partilhamos a vida e tivemos a alegria de ter conosco nosso Pai e fundador, Côn. Frei Gino Serafin.
Entrevistamos brevemente nosso fundador a respeito de como ele estava vendo a Congregação ao longo do tempo.
Frei Alexandre – Pe. Gino, como o senhor vê a nossa história ao longo desses 18 anos de existência da CMSIA?
Côn. Gino – O início do Instituto Comunhão e Participação, como qualquer obra de Deus não foi fácil. Tivemos muitos problemas humanos e eclesiais. Entretanto, foi graças a esses problemas humanos e eclesiais que hoje existe a Congregação Missionária de Santo Inácio de Antioquia.
No início éramos muitos, mas sem muita qualidade. De nada adiantava quantidade sem qualidade.
Deus me inspirou a trabalhar com pessoas que realmente precisavam ser ajudadas na sua dignidade, como nos afirma o próprio Jesus: “Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância”. A partir daí, toda nossa experiência foi voltada para resgatar a dignidade fragilizada do homem; mas não somente a dignidade física, mas também a dignidade espiritual. Muitos jovens, graças a Deus conseguiram ser ajudados. Muitos, hoje, são ótimos padres e bispos. Outros ainda, pais de família. Porém, o que mais me levou a fundar o Instituto, foi a minha experiência pessoal com Jesus Cristo e através dele me inspirar na espiritualidade de nosso Patrono, Santo Inácio de Antioquia.
Com o passar dos anos, muitas coisas aconteceram comigo e com a Congregação, mas nem por isso a obra ficou estática; parada, esperando “Jesus voltar”. Hoje ela está bem mais estruturada. Novos jovens estão sendo preparados não apenas para serem padres, mas para serem missionários; pessoas que antes de ser clero ou religiosos e religiosas, são cristãos que vão em busca de ser sinais vivos de Deus em meio à uma sociedade individualista e cheia de preconceitos, contra si e contra o outro.
Em 2006 a Congregação recebeu o seu reconhecimento das mãos do então bispo de Bauru, Dom Luiz Antônio Guedes. Isso para mim foi uma alegria muito grande, pois eu estava vendo a Igreja nos acolher de braços abertos, pois até então, como diziam alguns, “éramos bastardos”. Isso só aconteceu porque pessoas continuaram a obra iniciada por Deus em mim. Graças a ele, é que hoje a Congregação pode se sentir feliz com seus membros.
Espero poder estar mais perto de vocês daqui para frente e desejo sucesso a todos os padres, aos irmãos não ordenados e às irmãs que estão retomando suas atividades.
Frei Alexandre – Pe. Gino, o senhor disse que precisou ficar afastado em obediência ao cardeal arcebispo do Rio de Janeiro. Como o senhor se sentiu não podendo estar junto da obra que fundou? Qual foi o seu sentimento diante daquela ordem?
Côn. Gino – Nos meus escritos eu sempre incentivei e coloquei como norma a obediência ao bispo, assim como nosso patrono Santo Inácio de Antioquia nos exorta. Por isso, eu me mantive afastado. Sei que a minha presença para vocês fez falta, mas sem Cruz não há Igreja. Devemos nos lembrar que desde os primórdios do cristianismo a Igreja de Deus era perseguida, não só pelos pagãos, mas pelos seus próprios membros.
A obediência à Palavra de Deus é que me impulsionou a continuar os meus trabalhos. Ajudar aqueles que sofrem é ajudar o próprio Cristo na sua missão de salvação. Isto é que constitui a excelência do mistério da vivência Cristã. Por isso, só quem ama passa pela purificação do fogo, como nos relata a Sagrada Escritura e as cartas de nosso patrono, é capaz de ver a Deus. Só quem ama de verdade é capaz de evitar o diabo e as suas insídias. Não somos seguidores de um homem qualquer, mas somos seguidores e cooperadores do próprio Senhor, nosso Deus e Salvador.
Peço à Maria, mãe de Jesus e nossa, que ela interceda por cada um de nós e nos ajude a caminhar com o seu Filho, dissipando todos os medos, pois, onde há medo não há justiça. Continuem confiando em Deus e Ele nos dará a vitória certa na hora certa.
Durante o encontro, tivemos a oportunidade de ouvir do nosso Superior, frei Alfredo - que foi reeleito – que fez uma apresentação dos avanços e os desafios da atualidade e para o futuro material da Congregação.
Ficamos felizes em saber que um dos nossos irmãos, Frei Antônio, irá estudar na Itália. Esta decisão faz parte de um acordo com o senhor bispo da Diocese de Sulmona, Dom Ângelo Spina.
Frei Antônio estudará na cidade de Chieti durante a semana e fará comunidade com freis Rubens e Cícero aos finais de semana.
Em seqüência, demos início à eleição do novo Conselho Geral. Frei Guilherme expôs os requisitos para cada cargo.
Ao final, celebramos na Igreja Matriz Jesus no Horto das Oliveiras a Santa Missa em Ação de Graças pela Assembléia e pelo ingresso de dois novos irmãos no noviciado inaciano. Trata-se dos freis Grimário Antônio (Recife) e Adrianis Júnior (Paraná).
Eles receberam o escapulário de noviços das mãos do nosso Superior Frei Alfredo. É mais um passo rumo a Consagração.
Neste período de noviciado, os noviços poderão se aprofundar mais no estudo das Constituição da CMSIA, na vida e obras de nosso Patrono, nos Escritos do Fundador e na Espiritualidade da Igreja, no que diz respeito aos Conselhos Evangélicos.
Deus abençoe os Conselheiros eleitos e reeleitos e cada um dos noviços, irmã, postulantes, aspirantes, frades e toda a Família Inaciana.
Que Nossa Senhora, Divina Pastora nos ajude a caminhar sempre rumo à Santidade de seu Filho Jesus Cristo, o Divino Mestre.
Sum Frumentum Dei!
Panis Christi!